a autenticidade na era do fast fashion | artigo completo

Escrevi para a edição de Junho da revista online Nude Magazine um artigo acerca da era do fast fashion. A edição saiu à cerca de duas semanas e nessa altura partilhei com vocês a novidade apenas no meu instagram. Hoje deixo aqui o artigo completo (para a revista alguns parágrafos tiveram de ser retirados por falta de espaço). Espero que gostem e que deixem a vossa opinião nos comentários.

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I wrote an article for the June edition online magazine Nude Magazine about fast fashion. This edition came out a few weeks ago and in that time I only shared the news on my Instagram page. Today I show you here the complete article (for the magazine some paragraphs were removed for lack of space). Hope you like it and let your opinions on the comments’ box. (Sorry, but the article it’s only in portuguese!).

T.

Conheço-me com um hábito peculiar, olho as pessoas de cima a baixo. Ou melhor, olho para as suas roupas. E vou ao pormenor. Aquilo que escolhes vestir diz muito de ti. Esta segunda pele que podes escolher diz ao mundo aquilo que és, aquilo que pretendes ser ou aquilo que queres que o mundo ache que és.

Quando há cerca de 20 anos chegavam às lojas apenas duas novas coleções, Primavera/Verão e Outono/Inverno, víamo-nos num determinado ritmo de consumo. Agora que temos Mid Season Collections todas as semanas, vemo-nos num ritmo um tanto ao quanto alucinado. É cada vez mais difícil mantermos uma relação sólida com a nossa roupa, estimá-la e vesti-la durante mais tempo porque estamos constantemente expostos às novidades. É cada vez mais difícil optar pela qualidade em vez de quantidade. Do dia para a noite, a peça que comprámos “ontem” (e que usámos apenas uma vez) fica de lado porque hoje saiu uma nova coleção ainda mais incrível. Cada vez compramos mais roupa e cada vez a usamos menos. Os nossos roupeiros estão saturados. E andamos nisto. Andamos neste consumismo a uma velocidade desmedida. E eu, vítima, me confesso.

No meio desta correria perdemos muito. Perdemos dinheiro, os preços baixos praticados pelas grandes cadeias de fast fashion criam a ilusão que temos maior poder de compra. Perdemos autenticidade, com tanta oferta e diversidade é cada vez mais difícil definir e maturar o nosso próprio estilo, aquilo que caracteriza o nosso “eu”. É cada vez mais difícil perceber aquilo que nos faz sentir realmente bem e aquilo que espelha a nossa personalidade. E porquê? Porque é este o propósito do fast fashion: fazer-nos consumir cada vez mais através da diversidade constante a preços baixos. Não, isto não desculpa o nosso consumismo excessivo, mas é de certa forma tentador e manipulador. E facilmente surge a questão: mas afinal quem suporta este boom de novas coleções?

A indústria fast fashion tem a si associada um custo de elevado impacto ambiental e social. É desmedido. É brutal. E nós não fazemos a mais pequena ideia. No documentário The True Cost (Netflix) ficamos com a noção desta realidade e de quanto a falta de transparência das grandes marcas oculta uma verdade cruel. São pessoas como nós, que em condições desumanas fazem aquilo que vestimos. São jovens que trabalham 14 horas e recebem menos de 3 dólares por dia. Trabalham em condições miseráveis pondo em risco as suas próprias vidas e a sua saúde.

Nesta indústria parece-me possível que sejamos nós a ditar as regras. O nosso ritmo de consumo influencia o mercado e tenho a certeza que se optarmos por escolhas mais conscientes e sustentáveis conseguimos ter impacto. Podemos começar, por exemplo, por valorizar a qualidade em vez da quantidade. Ou optar por materiais orgânicos, não prejudicais ao ambiente e à nossa própria pele. Ou ainda, por exemplo, optar pelo vintage e pela segunda mão. Em tempos o Macklemore já dizia e bem “one man’s trash is another man’s treasure”.

Não me parece difícil abrandar um bocadinho e sermos mais ponderados. Por nós, pelo mundo, pelos outros e pelo amor que temos pela moda.

Teresa Silva

vintage & japanese

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dress: Mão Esquerda | sneakers: Vans | denim jacket: vintage

Each time I go to Porto I have to visit this store: Mão Esquerda. It’s a vintage store that sells vintage and second hand clothes and accessories. The owner and the shop assistant are really amazing and lovely people (no words!).

Some dresses and kimonos from the store came from Japan, the one that I’m wearing is one of them. Since I saw it I fell in love with it.  The details on the back and front (near the buttons). The long sleeves with balloon shape (you can’t see it because it was really hot on this day and I had to push up the sleeves). And the length of the skirt. I liked all these details but I confess that I had some doubts about the color. It’s a kind of ‘light-old-pink’. This color is difficult to combine with some tones of skin, and my skin is one of the kind. But I’m glad that I bought it because I really like how it fits on me, even with my light skin ton. What do you think? Do you guys like this dress?

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Cada vez que vou ao Porto tenho de visitar a Mão Esquerda. É uma loja vintage que vende roupa e acessórios vintage e em segunda mão. A dona e a assistente são pessoas super simpáticas e muito queridas mesmo!

Alguns dos vestidos e dos kimonos que a loja vende vieram do Japão. O vestido que estou a usar é um deles. Fiquei super encantada por ele quando o vi: os detalhes nas costas e na frente (perto do botões do decote), as suas mangas de balão (que não dá para perceber porque com o calor que estava tive de subir as mangas), e o comprimento da saia. Adorei todos estes detalhes mas confesso que tive algumas dúvidas relativamente à cor. Este rosa velho não favore todos os tons de pele e acho que o meu é um deles. No entanto, ainda bem que o comprei, gosto muito dele, da maneira como caí no corpo e mesmo com o meu tom de pele fica melhor do que aquilo que eu esperava. O que acham? Gostam do vestido?

T.